Se juntas já causam, imagina juntas
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Tenho pensado muito sobre as relações que fazemos ao longo da vida e como elas são essenciais para nos ajudar a tomar decisões que dizem respeito a nós mesmos. Como elas nos ajudam a andar para frente.

Nossos amigos, a gente escolhe. Tenho claramente viva a lembrança de algumas amizades que eu escolhi e que, no primeiro encontro, já sabia que virariam grandes parcerias. Sabe quando a presença do outro chega a instigar de tal forma que o corpo inteiro quer se comunicar? Que você quer absorver tudo o que aquela pessoa tem dentro dela? Comigo sempre foi assim. Meus amigos eu escolhi e continuo escolhendo, um a um.

Eu gosto muito de conhecer gente nova. E uma das formas que mais gosto de absorver conhecimento é conversando com as pessoas. Sempre preferi sentar e ouvir o outro ao abrir um livro, sozinha no quarto. Ouvir histórias me permite entrar em contato com emoções, me faz vibrar junto, me alimenta e me ensina. Não tem nada mais potente que a presença física.
Quando descobri que poderia usar essa "técnica" de escolher amigos no campo do trabalho, ou seja, me aproximar pessoas que têm os mesmos interesses que eu e, ao ajudá-las, ganhar algo em troca também, me senti como desvendando um segredo. 

Hoje revisitei a pasta onde guardo todos os materiais de todos os clientes. E descobri uma coisa em comum entre eles: quase todos (99%) são mulheres fodas, trabalhando duro e conquistando a sua merecida representatividade através dos seus trabalhos.

Mulheres que me inspiram. Que me mostram como conquistar o meu espaço onde quer que eu esteja. Que dirigem suas próprias vidas e usam a intuição como guia. Que observam, escutam, não têm medo de falar o que pensam, mesmo que os pensamentos possam mudar de uma hora pra outra. Abertas ao novo e que se vulnerabilizam o tempo inteiro porque na vida, sabem que nada é definitivo.

São mulheres que provavelmente já se sentiram desrespeitadas ou sem espaço diante de homens que não estão dispostos a ouvi-las - ou que, simplesmente, não as consideram no ambiente, principalmente quando diz respeito a decisões de trabalho. São aquelas que mesmo assim, não desistem porque sabem que a condição para que sejamos reconhecidas é a persistência.
São aquelas que carregam em si autoconfiança e insegurança, coragem e medo, razão e emoção, doçura e braveza, intensidade e leveza, tudo ao mesmo tempo (minha vã tentativa de explicar o inexplicável). Que não desistem por pouco.

Me sinto honrada de ter tanta mulher foda perto de mim. Obrigada amigas, parceiras, clientes, que compartilham comigo a deliciosa experiência de estar viva!

Vocês deviam conhecer o trabalho dessas mulheres:

  • Lella Sá
  • Rafa Cappai (Espaçonave)
  • Helena Camargo (H2C Arquitetura)
  • Diane Cossermeli (Terra W Estúdio)
  • Lilly Hastings
  • Mariana Stock (Prazerela)
  • Carmen Sampaio (Astrologar)
  • Mari Pelli (Roupa Livre)
  • Mariana Salles (Love Accounting)

 

Mayara CastroComment
Internet: a casa do Nômade Digital

Texto originalmente escrito para o Catraca Livre Viagem


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Não precisa ser um nômade digital para saber que a internet é um dos ambientes mais importantes hoje em dia para quem quer ser visto e lembrado. Se você é um pequeno empreendedor como eu, há de concordar comigo que ela é o alicerce que facilita a conexão e aproxima a relação entre nós e o nosso cliente final.

Mas, diferente de quem tem um espaço físico ou de quem empreende em um único local, os nômades digitais não têm um ambiente fixo. Qualquer lugar é lugar para abrir o computador e começar a trabalhar --seja na cidade, na praia, no campo, na rua, na chuva, na fazenda ou na casinha de sapê. Sua verdadeira casa é seu site e suas redes sociais.

Desde que utilizada de forma pensada, a internet pode ser uma verdadeira impulsionadora desse estilo de vida tão sonhado, uma vez que estimula a gente a olhar para a nossa vida de fora e pensar os próximos passos com cautela.

Quando escolhi criar o meu próprio negócio, precisei bater bastante na tecla de que não sou uma freelancer, ou seja: não tapo buracos em agências, não pego job no meio do caminho, não sou uma máquina de escrever que apenas atende a necessidade de quem precisa se expressar.

Precisei mostrar com regularidade que os meus serviços foram pensados cuidadosamente e que a minha entrega é única, já o meu jeito de fazer é reflexo de vários fatores, incluindo o fato de que meus atendimentos são todos online, já que estou viajando. Foi então que a minha identidade na internet precisou ser reforçada e por consequência, ficou muito mais fácil continuar a caminhada, porque comecei a ser vista por mais gente e, conquistei mais clientes.

Hoje em dia, penso muito mais no processo de desenvolvimento do meu trabalho do que antes, afinal, a internet:

  • Estimula diariamente a praticar o olhar observador acerca de nós mesmos

Sem dúvidas viajar é um gatilho para o autoconhecimento. São em situações em que estamos mais vulneráveis que mais trabalhamos o nosso instinto de sobrevivência. E as relações que construímos ao longo da viagem passam a ser um exercício constante de aprimoramento das nossas qualidades e avaliação dos nossos defeitos - que geralmente se mostram quando sentimos dificuldade de lidar com determinada situação.

  • Faz a gente refletir sobre a melhor forma de organizar o nosso planejamento financeiro

A vida de um nômade digital é tão imprevisível que somos testados todos os dias a ter mais resiliência. Por isso, precisamos estar sempre preparados, pensando no plano B, caso o A não dê certo. Planejar o passo a passo da viagem, conhecer os nossos serviços, saber o que queremos vender e quando, são estratégias para melhor aproveitar a vida viajando.

Reduzir os custos da viagem trocando trabalho por hospedagem, por exemplo, também pode estar no planejamento para nos prevenir dos perrengues.

  • Faz a gente entender que o dinheiro não pode vir de uma única fonte

Desde que comecei a empreender, entendi a importância de pulverizar os meus serviços, afinal, para cada necessidade existe uma solução e quanto mais solução eu tiver no meu cardápio, mais conseguirei suprir as diferentes necessidades das pessoas que se aproximam de mim (de nada adianta ter uma divulgação consistente e quando o cliente chegar eu não ter como atendê-lo). O bom disso é que passamos a ter diferentes fontes de renda, que, somadas, podem garantir um salário até maior do que trabalhando para uma única empresa.

  • Nos ajuda a nos conectar com as pessoas certas

A grande entrega da internet, na minha opinião, é a construção de comunidade, ou seja: criar relacionamento, rede de apoio, vínculos reais. Para isso acontecer, precisamos nos mostrar, interagir, trocar. Quanto mais autêntica for a nossa expressão, mais atrairemos as pessoas certas.

Quem viaja muito sabe: as únicas pessoas que temos quando estamos na estrada são outros viajantes. Sem sombra de dúvidas, a internet nos ajuda a conhecer pessoas que estão no mesmo barco e, a partir disso, a nos sentir mais seguros em soltar as asinhas.

  • E, claro, a registrar os bons momentos

E última coisa, não menos importante, é que hoje a internet é o lugar perfeito para registrar os bons momentos da viagem e guardar para sempre as recordações de experiências inesquecíveis que vivemos. Você vai ver com passa rápido e no final, restarão memórias e, com certeza, boas fotos!

Mayara CastroComment
Sonha em viajar sozinha em 2018? Comece por aqui

Texto originalmente escrito para o Catraca Livre Viagem


Viajar é uma oportunidade de autodescoberta sem tamanho. Se você está passando por um momento de transição --mudança de carreira, separação, superação de algum acontecimento que te tirou do eixo-- ou até mesmo se você quer conhecer outras culturas e aprimorar os seus conhecimentos em algum tema específico, recomendo fortemente que considere passar um tempo fora da bolha e se dar esse presente.

Viajar sozinha, porém, é uma atitude que exige um certo desprendimento e coragem. Primeiro de tudo, não encare como verdade absoluta tudo o que te disserem, principalmente quando quiserem te convencer que não é seguro viajar sozinha porque você é mulher. Assim como no dia a dia, tudo é possível que aconteça, inclusive N-A-D-A. Não é por isso que você vai passar a vida com medo de sair de casa, né? A minha sugestão é: antes de fazer as malas, pesquise bem o destino, leia depoimentos de outras mulheres que já estiveram lá, colha dicas de como se comportar diante daquela cultura. Quando chegar, observe, observe, observe muito.

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Para que essa viagem seja mais proveitosa possível, faça um planejamento. Você não precisa saber minuciosamente o que fará em cada cidade que pousar, mas é importante criar um trajeto. Assim, você consegue se dividir para conhecer todos os lugares que deseja no tempo que tem. Uma boa ferramenta para organizar o roteiro é o GoogleMaps. Lá, além de criar o trajeto, você pode favoritar os pontos que deseja conhecer.

Planejar-se financeiramente também é importante. Se você mora de aluguel, já pensou em usar o Airbnb enquanto estiver fora? Se tem carro, já pensou em vendê-lo? Às vezes, só de guardar o dinheiro da cervejinha já te ajuda a criar um pé de meia.

Se você não tem data certa para voltar e tem a oportunidade de oferecer o seu trabalho enquanto viaja, você pode, também, trocar trabalho por hospedagem e aproveitar mais tempo em cada destino. Empresas como a Worldpackers são ótimas intermediadoras desse processo! Eu fiz e recomendo.

 Pôr do sol em Hua Hin - Tailândia

Pôr do sol em Hua Hin - Tailândia

Quando chegar, esteja aberta a conhecer pessoas, principalmente os locais. Se precisa pedir algum tipo de informação, vá em outra mulher que tenha mais ou menos a sua idade. Por mais que você não fale a língua local, elas sempre tentam ajudar. Nessas horas a gente vê que a sororidade existe!

Dê tempo ao tempo. O primeiro dia pode parecer (e é) algo absolutamente fora do comum, mas aos poucos você vai se acostumando com o lugar e a rotina das pessoas.

Se abra às imprevisibilidades que podem aparecer no caminho. Esses dias, peguei um trem de Bangkok para outra cidade na Tailândia e quando cheguei, dia 31 de dezembro, não havia nenhum táxi na rua. Um milhão de pensamentos vieram à cabeça, inclusive que eu poderia passar a virada do ano ali na estação de trem. Respirei, esperei e depois de um tempo uma pessoa parou oferecendo ajuda. Confiei e fui. E estou aqui contando a história.

Aproveite todas as oportunidades que podem aparecer no caminho. Você não sabe quando vai voltar àquele lugar, com aquelas pessoas e, acima de tudo, sentir aquela mesma emoção --talvez, nunca.

E mantenha sempre: a mente esperta, a espinha ereta e o coração tranquilo.

Mayara CastroComment
Viajando o mundo colaborativamente

Texto originalmente escrito para o Catraca Livre Viagem.


Escrevo esse texto durante o meu primeiro dia no turno da tarde da recepção do hostel Fu House, aqui em Bangkok, na Tailândia. Revezo com a Dede, uma indonésia, que faz o turno da manhã.

Durante as 48 horas de viagem até aqui --peguei um voo de São Paulo para Chicago, outro de Chicago para Tóquio e outro de Tóquio para Bangkok, com direito a passar duas madrugadas no aeroporto-- conheci algumas pessoas que assim como eu, estavam vindo conhecer a Tailândia. Conversa vai, conversa vem, todas me perguntaram onde eu ficaria hospedada e quanto eu estava pagando pela diária. A expressão foi a mesma quando contei que trocaria trabalho por hospedagem.

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Por mais barato que seja a moeda aqui (1 bath equivale a aproximadamente 10 centavos de real), reduzir os custos da viagem foi uma das minhas principais metas depois de decidir que passaria três meses na Ásia. Comecei pela hospedagem, que é um dos principais gastos.

Com a economia criativa acontecendo em todos os cantos do mundo, o que não falta são boas ideias protagonizadas por pessoas que não ficam paradas quando descobrem que podem suprir as necessidades do mundo usando os seus talentos e paixões. É o caso do Eric e do Riq que criaram a Worldpackers, uma plataforma que ajuda a gente a viver o sonho de conhecer o mundo em troca de compartilhar nossas habilidades. E, bom, já que estaria usufruindo de tudo de bom que a Tailândia tem a me oferecer, fiquei feliz em saber da oportunidade de me colocar a serviço para colaborar com a cultura local.

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Uma dose de coragem a mais e pronto, já estava criando o meu perfil na plataforma e procurando hostels que pudessem me acolher. Entre seis tentativas, quatro hostels me responderam. Entre os quatro, dois me aceitaram: o hostel Fu House, no centro de Bangkok e o Himmapan Resort, na praia de Koh Phayam, no sul.

Se você também quer viajar o mundo de forma colaborativa, aí vão algumas dicas para você criar o seu perfil lá no site da Worldpackers:

  • Não tem ninguém igual a você no mundo - Tenho uma amiga que diz: "nossa identidade é igual a nossa impressão digital, única e insubstituível". Por mais que existam milhares de perfis cadastrados na plataforma, cada pessoa tem uma história de vida e carrega saberes únicos. Isso significa que se você caprichar na descrição do perfil, ser autêntico e mostrar quem você é sem timidez, as chances de ser aceito pelos hostels é bem maior.
  • Você é um ser multipotencial - Não é porque você se formou em determinada profissão que possui uma única habilidade. Eu trabalho com comunicação, mas aqui no hostel Fu House, distribuo sorrisos e cuido da recepção pelo período de 6 horas diárias (com dois dias de folga na semana). Em troca, tenho hospedagem, café da manhã e lavanderia gratuita.
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  • Organize sua agenda e entre em contato com os hostels com antecedência - Nem sempre os anfitriões estão de olho nas mensagens que chegam pela plataforma. Pode ser que eles demorem alguns dias para responder, então, fica a dica: aplique interesse em mais de um hostel ao mesmo tempo. Se um deles responder a tempo, você já tá no lucro!
  • Abra a cabeça - O mais legal de viajar para outros países é conhecer culturas diferentes. E não existe melhor forma de fazer isso do que conhecendo pessoas locais. Fazer parte do staff vai te proporcionar um conhecimento muito mais amplo sobre o país e sua cultura, já que estará em contato com eles o tempo inteiro.
  • Dê o melhor de si - Às vezes ficamos inseguros porque não dominamos totalmente o idioma local. Depois que aceitei que o inglês é a minha segunda língua (e a segunda língua dos tailandeses também), tudo ficou mais fácil: passei a aceitar o meu tempo de absorção da informação, deixei de ficar nervosa ao me expressar e passei a me comunicar melhor. Na dúvida, é só perguntar de novo. Aqui na Tailândia, um sorriso representa mais que mil palavras.

E então, qual é o seu próximo destino?

Mayara CastroComment
Jornalista deixa mundo corporativo para virar nômade digital

Texto originalmente escrito para o Catraca Livre Viagem.


Faz três anos que saí do mundo corporativo para empreender o meu negócio criativo. Nem posso dizer que senti falta dos benefícios do CLT porque a única vez que fui contratada fazem 10 anos, em meu primeiro e único trabalho no shopping -- que, diga-se, de passagem eu aguentei a pressão por quatro meses.

Depois disso, sempre fui PJ (pessoa jurídica). E isso, de alguma forma, sempre me fez questionar o comportamento das empresas que trabalhei --deveres: tinha vários. Direitos, que direitos?

 
David Ludolf
 

Sinto que cada vez as novas gerações se preparam para nova alçada em suas carreiras. Não é de hoje que questionamos a educação, mas, cada vez mais damos por óbvio que profissões tradicionais sugeridas pelos nossos pais por "pagarem bem" não trazem mais felicidade --até porque, o problema não é a quantidade de dinheiro que se ganha, mas a maneira que se gasta. Quem aí já se pegou tentando se convencer de: "tenho que trabalhar para pagar as contas do carro que uso para ir para o trabalho"?

Sou jornalista, paguei caro para me formar e no meio do caminho o diploma caiu. Logo entrei para o universo da comunicação online e, claro, por ser um solo novo, além de não ser bem remunerada, estava vivendo esse ciclo vicioso, infeliz e sem perspectivas.

Até que, em 2013, a coragem veio e resolvi criar um negócio próprio. Nesse momento, várias questões vieram à tona. Senti falta de aprender sobre empreendedorismo na faculdade. Senti falta de profissionais dispostos a me ajudar, levando em consideração que não tinha grana como os grandes para pagá-los.

Percebi, então, que para o movimento contrário começar a funcionar, a engrenagem precisava parar de girar. Foi aí que decidi que o meu trabalho não serviria as grandes marcas, mas pessoas protagonistas de ideias que incríveis que, assim como eu, precisava de ajuda.

Neste mês de dezembro, comemoro quatro anos de empreendedorismo autônomo e livre, que diariamente me ensina que a comunicação nada mais é do que uma ferramenta poderosa feita para ajudar a promover iniciativas que colaboram para a construção de um mundo melhor --porque sobre desgraça, já basta a grande imprensa comunicar.

E se existe protagonista nessa história toda, o papel é da internet, que nos dá espaço, permissão e nos ajuda cada vez mais a democratizar o acesso à informação e à bens de consumo. Pequenos empreendedores, artesãos, produtores manuais sempre existiram. A diferença é que agora aparecemos. Como diz meu sábio pai: "a crise que estamos vivendo não é econômica, mas de valores, porque hoje em dia temos oportunidade para fazer melhores escolhas".

É nessa incessante busca, de ajudar o pequeno empreendedor a ser visto e lembrado, que escolhi viajar o mundo com o meu trabalho. E, claro, vou contar tudo aqui e nas minhas redes sociais. Se quiser conhecer um pouquinho do que faço, é só vir aqui: www.mayaracastro.me  ou no Instagram.

Juliana Colinas: da engenharia à fotografia em um clique.

Faz dois meses que estive no RJ para realizar uma edição da oficina de Texto e Foto com o celular. Uma, entre as tantas que aconteceram em diferentes partes do Brasil esse ano.

Contar sobre as diferentes iniciativas que conheço nos lugares onde tenho passado tem sido um gatilho para que mais pessoas possam desfrutar das marcas e projetos protagonizados por tanta gente talentosa ao redor desse Brasilzão; ao mesmo tempo me torna uma vitrine do tipo de consumo que acredito ser o mais saudável e consciente nesses tempos de oferta em excesso: o consumo do pequeno produtor local. 

Nessa onda de começar a criar o meu próprio conteúdo autoral, fui procurar alguém que pudesse me ajudar a registrar essas experiências e encontrei a fotografia da Ju Colinas. Quando a vi, logo pensei: é esse olhar que eu quero para complementar o meu trabalho. 

Percebi que nossa linguagem tem características em comum: não importa onde estou, gosto de retratar o local como um todo, mostrar a arquitetura, o cenário presente. Gosto de imagem aberta, que permite quem tá de fora entrar no ambiente. Também gosto de movimento, de expressão, de ritmo. A Ju me inspirou pelo feed, mas mais ainda pelo olhar amplo e sensibilidade ao introduzir pessoas em cenários tão improváveis.

Essa foi a sensação que eu tive quando ela me convidou para fazer as fotos no estacionamento de um shopping. Chegando lá, entendi tudo.

Por Ju Colinas
Por Ju Colinas

Ela me contou que é apaixonada por fotografia desde criança. Tinha uma câmera Olympus bem surrada e, conforme foi crescendo, ouvia das pessoas que aquilo não era profissão. Foi então que, mesmo sabendo que o amor pela fotografia falava mais alto, optou por estudar Engenharia. Não demorou muito para que ela começasse a se questionar sobre não estar fazendo o que fazia o coração pulsar, então, chegou uma hora que resolveu pedir dinheiro emprestado, comprou uma câmera e começou a reproduzir suas ideias. Até que um dia alguém perguntou quanto ela cobrava. Foi então que ela abandonou a faculdade, sem medo de ser feliz.

 Ju, por que você faz o que você faz? Quais são os propósitos que te movem em sua criação?

Eu sempre fui uma pessoa muito criativa e fantasiosa. Sempre tive muita dificuldade em compreender a grandezas dos meus sentimentos por tudo e por muitas vezes enlouqueci em senti-los de forma tão intensa e desejei até que não existissem. A arte foi uma terapia pra mim numa fase ruim. Eu faço arte quando me sinto triste, angustiada, feliz, ansiosa, com medo. É o canal que encontrei de esvaziar meus sentimentos e materializa-los em algo externo. O que mais me move a criar e o que mais me ajuda no processo de criação são meus sentimentos.

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Como foi o seu processo de transição para o seu trabalho atual? Quais foram os desafios que você viveu e as suas conquistas?

A minha maior evolução foi quando parei de olhar para o trabalho dos outros e comecei a olhar pra dentro de mim. Comecei a procurar o que me dava o gatilho de produzir, o que despertava meu olhar. Só assim comecei a buscar referências de acordo com o que estava dentro de mim, não dentro das pessoas.

Como você ganha dinheiro?

Ganhar dinheiro por incrível que pareça, não era o meu objetivo inicial. Na verdade eu mal conseguia linkar fotografia a trabalho. Hoje a fotografia é meu trabalho e minha única forma de renda. Sempre gostei de fotografar pessoas usando maiô, então comecei a garimpar alguns maiôs em brecho para agregar a produção. Aos poucos, de tanto produzir fotos de pessoas de maio, comecei a atrair a atenção de marcas de beachwear aqui do Rio de Janeiro. Quando comecei a trabalhar com marcas, não parei nunca mais. A minha maior satisfação é conhecer a criação de alguém e poder cuidar disso, cuidar da ideia e fazer parte de um pedacinho da história da vida de uma pessoa e de um conceito.

Quanto tempo levou para você acreditar que esse era o caminho que você queria percorrer?

O processo demorou anos. Sempre me parecia o caminho certo mas ao mesmo tempo, o medo de ser mal sucedida era enorme. E o pior é que as únicas coisas nas quais me interessava estavam ligadas a arte. Foi muito difícil escolher uma profissão. Foi muito difícil tudo o que eu gostar, ser vetado por ser arte. Só acreditei quando me vi num beco sem saída, infeliz onde eu estava e percebendo que não importava o dinheiro que eu geraria se eu não estivesse feliz.

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O que faz você sentir que está no caminho certo?

A principal coisa que me move pra frente e me faz saber que estou onde deveria estar é quando alguém, meu amigo ou só conhecido, encontra uma foto na internet/Instagram e me marca dizendo "quando vi essa foto, nem tinha seu nome mas já sabia que era sua". Meu maior incentivo é saber que além de produzir o que eu sinto, consigo ser identificada numa foto que não tem nem meu rosto. Essa é a coisa que mais me move pra frente.

Que futuro você está ajudando a criar?

Meu melhor pagamento é quando ouço de alguém que o ensaio mostrou a ela o quanto ela é bonita e ela não conseguia ver. A escolha da minha profissão sempre foi baseada em como eu conseguiria atingir as pessoas com o meu trabalho. Hoje eu sei que estou no caminho certo. Não consigo abraçar o mundo mas consigo abraçar o mundo de alguém e fazer esse alguém enxergar quão bonito é.

Como é ser um pequeno empreendedor criativo, no Brasil?

Ser microempreendedora é, além de ter meu negócio, ser meu negócio e estar sempre buscando inúmeras formas de evolução, que acabam sendo espelho da minha própria vida. Eu amo muito o que eu faço.

Quais dicas você daria para quem quer começar nesse caminho?

Produza! Só produza! Não espere nada em troca, nem reconhecimento, nem dinheiro, nem aplausos. Isso tudo é consequencia de algo muito maior. Sua arte e muito maior do que a aprovação que você vira a receber. Produzir além de te dar satisfação pessoal, por natureza irá despertar interesse em outras pessoas de terem seu trabalho. Só produza!

Onde podemos encontrar mais informações sobre você e seu(s) projeto(s)?

Através do Instagram (@jucolinas), que e onde atualizo diariamente. No be.net/julianacolinas os ensaios são postados inteiros, divididos por álbuns, diferente do Instagram que posto só um SPOILER. No behance e no Facebook.com/julianacolinasfotografia da pra acompanhar todos os ensaios na íntegra. No facebook tem todos desde que comecei. O behance é meu portfólio mais afinado para representar meu trabalho. Também estou produzindo uns vídeos no Vimeo.com/julianacolinas e em breve sai um site bem legal.

 

Mayara CastroComment
Seja você na vida real & virtual

No fim de semana passado, realizei em parceria com a fotógrafa Luiza Ananias, a primeira edição da oficina de Texto e Foto com o celular em Belo Horizonte. 

Essa viagem foi especial porque além da oficina, fui conhecer Inhotim, que é um prato cheio para quem (como eu) quer colocar em prática os aprendizados da oficina e treinar o olhar para fotografar melhor. 

 Selfie feita com o celular

Selfie feita com o celular

Minha vida se confunde com meu trabalho. Eu quis isso. Sempre que planejo uma viagem, penso em como poderia aproveitar para levar o trabalho junto. Faço isso por dois motivos: o primeiro é porque acho um desperdício guardar comigo o que eu sei que pode ajudar muita gente (e que vejo um monte de gente quebrando a cabeça) e depois porque até hoje não encontrei alguém que ofereça um serviço mais focado na autenticidade da mensagem do que na técnica. Então, me sinto útil. 

Além disso, tenho duas principais necessidades: a primeira é registrar os momentos que vivo e ter um lugarzinho onde guardar tantas recordações. E a segunda é encorajar e inspirar pessoas que desejam um estilo de vida e trabalho como o meu. E, claro, me colocar a serviço. 

Só que se para ser vista eu preciso me mostrar, "como posso fazer isso mesmo viajando sozinha?", era a pergunta. Compartilho com vocês as respostas que encontrei para me comunicar melhor, sem perder o mais importante: a minha essência.

  • Nosso conteúdo já tá pronto. Só precisamos nos apropriar dele.

Eu sempre digo que gosto de trabalhar com o pequeno empreendedor porque ele já tá no caminho de fazer o que ama. Se a recíproca é verdadeira, basta se colocar no lugar do cliente e imaginar: "como eu usaria isso no meu dia a dia?" Depois disso, volte à sua posição oficial e crie conteúdos que expresse o seu estilo de vida. Assim você poderá se tornar referência e inspirar quem deseja comprar o que você vende!  

  • O foco deve estar na mensagem.

Eu prefiro recomendar que você opte por um conteúdo bem feito, que atingirá resultados orgânicos, do que sugerir que você compre seguidores - ah vá! 

Simples assim: se preocupe em transmitir a sua mensagem, em falar do que você acredita, quais valores você carrega, os aprendizados que colheu ao longo da vida. Você vai ver que as pessoas que te acompanham vão se interessar muito mais em trocar com você do que se você ficar apenas tentando vender o seu peixe para seguidores irreais.

  • Comunicar um serviço é trabalhar com a imaginação.

Quem vende serviço, vende um saber. Ou seja: muitas vezes é mais difícil fotografá-lo do que se você tivesse em mãos um produto. Porém, vivemos na era do compartilhamento de conhecimento, ou seja: se você não agrega valor ao seu produto, ele pode passar despercebido mesmo se a foto for incrível. Então te pergunto: como você pode fazer para ser um exemplo daquilo que você ensina e mostrar para o seu cliente que os resultados são reais? 

  • Não basta escrever bem, as pessoas querem (nos) ver com os próprios olhos
 Selfie feita com o celular

Selfie feita com o celular

A fotografia cada vez mais faz e fará parte do nosso dia a dia. Produzir uma foto legal nem sempre é fácil, mas não é impossível. Primeiro de tudo: fase teste. Fotografe tudo o que você conseguir. Depois, pare e faça uma análise crítica do que você clicou: ficou bom? Não? Por quê? Como poderia ficar melhor?

Depois, trabalhe o seu olhar. Nos lugares onde passar, tente imaginar cenários novos. Experimente e descubra a sua identidade estética.

Para lembrar de não esquecer: luz é tudo! 

  • Estar sozinho no rolê não impede de sairmos nas fotos.

Muitas vezes, a cia de alguém pode te ajudar a se sentir mais confortável quando for fotografar a si mesmo. Mas, se você tá só, você pode posicionar bem a câmera e programar o clique, através do timer do aparelho. Nem sempre a foto vai sair como você esperava, mas o bom é que você pode testar várias vezes sem encher o saco de ninguém :)

  • Edição salva a vida!

Principalmente quando programamos a foto e não conseguimos olhar o que está sendo fotografado (como o exemplo que dei acima), a edição salva. Eu sempre uso os aplicativos Snapseed e VSCO Cam para tratar as minhas fotos. E recomendo!

 Foto feita com o celular no timer

Foto feita com o celular no timer

Alguns outros aplicativos que podem ser úteis:

  • Inshot
  • Retouch
  • Facetune
  • AfterLight
  • UNUM

Por fim, pesquise sempre, se abasteça de referências e não tenha medo de se expor. A internet é uma ferramenta poderosa que nos ajuda a interagir com o mundo e pode nos ajudar a colher maravilhosos frutos!

E quem estiver em São Paulo no próximo dia 11 de novembro, haverá uma edição da oficina de Texto & Foto com o celular, dessa vez em parceria com a Flávia Ribeiro (@flaviaribeiro no instagram), lá na Espaçonave. Para se inscrever é só vir aqui: bit.ly/oficinatextoefoto_sp (dá pra pagar em até 10 vezes no cartão).  

Mayara CastroComment
Divando com a Diva Nassar
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Conheci o trabalho da Diva quando ela se inscreveu para um dos meus cursos. A experiência de ter contato com criativos do Brasil inteiro no curso de Expressão Digital é sempre única: lá, trocamos com pessoas que tão no mesmo barco, tentando entender como é possível criar uma expressão autentica de si. Como sempre digo, não existe (ou não deveria existir) autoexpressão sem autoconhecimento - essa é a chave para o nosso autodesenvolvimento, seja lá qual for o nosso objetivo.

Conversa vai, conversa vem, descobri nela o olhar sensível de uma fotógrafa que, assim como todos nós, quer ser reconhecida pela mensagem que carrega e não apenas pela profissão.

Por isso, resolvi contar a história dela aqui. 

 

Diva, como surgiu o seu projeto? Me conta um pouco sobre sua história e de sua marca.

O meu projeto surgiu da vontade de fazer mais mulheres verem seus corpos através de olhos mais gentis.

Uma amiga fotógrafa fez um ensaio comigo (ela me fotografando) e foi um divisor de águas pra mim, tive o privilégio de ser fotografada por uma pessoa que eu admiro e ainda tive uma experiência que todo fotógrafo deveria ter: a de estar do lado contrário do ensaio. Depois desse dia nunca esqueci a sensação de não saber se estou fazendo as coisas "direito", levando em conta que eu não tinha um papel a desempenhar naquele ensaio que não fosse ser: eu mesma.

Quando ela me entregou as fotos tratadas disse que queria mandar algumas para uma revista francesa, se teria problema por mim. Eu disse que não mas imediatamente pensei "mas vou pedir pra ela não colocar aquela que a minha barriga tá estranha" e isso foi muito estranho pra mim. Eu não costumo ter problema com o meu corpo mas nessa hora reparei que eu não tinha problema com o meu corpo porque não me colocava nesse tipo de situação. Ela deu um jeitinho de falar que isso era coisa da minha cabeça, e provavelmente era, só que são as coisas da nossa cabeça que pautam tudo o que a gente faz da nossa vida. É a nossa autoestima que dá o tom de absolutamente todos os nossos relacionamentos, tanto de amizade quanto amorosos, assim como no trabalho.

 Foto da Tamires Iwamoto

Foto da Tamires Iwamoto

Foi então que vi que nós mulheres precisamos de muita ajuda na luta contra todas as pressões externas e internas que sofremos todos os dias. O ensaio da Tamires me fez olhar pro meu corpo com mais gentileza e lembrar que só eu posso mudar o jeito que vejo as coisas - e ajudas são sempre bem vindas!

Depois disso passei a fotografar cada vez mais mulheres ao meu redor, porém de um jeito completamente diferente: não era mais só um ensaio fotográfico, era praticamente uma terapia. E o resultado mais visível dessa diferença no meu comportamento veio através das mensagens que eu passei a receber quando entrego as fotos. Vem choro, vem risada, vem agradecimento, vem medo de postar as fotos e 'do que as pessoas vão pensar' seguido de um belo "foda-se" e vem força, força pra continuar seguindo e ter mais paciência consigo mesma. Isso não me deixa esquecer a finalidade do meu trabalho e da minha ideologia.

Se sua marca fosse uma pessoa, como ela seria?

Acredito que seria uma mulher tranquila e de bem com a vida apesar dos pesares. Uma pessoa que sabe aproveitar o que tem de bom e tem força para lidar com o que tem de ruim sem medo de se trabalhar até o fim da vida, melhorando sempre.

Por que você faz o que você faz? Quais são os propósitos que te movem em sua criação?

Faço o que faço pois não tem gente o suficiente fazendo algo do tipo pelas mulheres. O que mais vemos é desrespeito pelo corpo da mulher, vindo tanto dela quanto de outras pessoas. Acredito fortemente que faço diferença na vida de quem eu fotografo e mudo pra melhor. :)

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Como foi o seu processo de transição para o seu trabalho atual? Quais foram os desafios que você viveu e as suas conquistas?

Eu fiz a graduação de fotografia aqui em São Paulo e sempre trabalhei com isso, o que não tornou o processo mais fácil em nenhum sentido. Durante muito tempo fiquei achando que tinha errado em seguir esse caminho, que não valia a pena passar por todas as dificuldades que o trabalho impunha até perceber que eu tinha que mudar o ângulo de visão se eu quisesse sobreviver.

O que faz você sentir que está no caminho certo?

Ver que eu consigo ficar tranquila comigo mesma. Depois que tomei essa decisão as coisas fluíram com maior facilidade.

 A camiseta é da Avah! Store

A camiseta é da Avah! Store

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Você se sente responsável por fazer a diferença na vida dos outros? Que futuro você está ajudando a criar?

Sinto, quando vejo a pessoa postar as fotos que eu fiz e sentir que tem poder sobre si mesma, sobre suas atitudes, sobre o que quer e não tem medo de ir lá conseguir. Acredito que o que virá serão mulheres cada vez mais seguras de si e quem sabe assim, uma sociedade mais equilibrada e justa.

Qual a dor e a delícia de ser um pequeno empreendedor criativo, no Brasil?

Aí complicou! hahaha Não sei se eu recomendaria isso pra qualquer pessoa, vale muito dizer que tem que ter estômago pra pessoa não chegar desavisada. Você tem que ser tudo dentro do seu negócio: seu planejador, seu comercial, suas redes sociais, seu contador (só falto morrer) e principalmente seu maior torcedor porque se não, realmente, não dá pra dar conta. Tendo falado isso, nada dá mais orgulho do que ver que você faz o seu trabalho do início ao fim, todas as decisões tomadas são suas, partem dos seus princípios. Muita gente não gosta de ter toda essa responsabilidade mas eu acredito que seja o melhor jeito de levar a vida.

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Quais dicas você daria para quem quer começar nesse caminho?

Diria pra nunca achar que não tem como melhorar, como se conhecer melhor, conhecer o seu público melhor, interagir de forma real e concreta com outras pessoas que passam pelas mesmas coisas que você e tentar mais um pouco sempre que pensar em desistir.

Onde podemos encontrar mais informações sobre você e seu(s) projeto(s)?

No www.divanassar.com. Apareçam por lá!

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Mayara CastroComment
Entre e sinta-se em casa!
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A minha principal questão durante toda a minha existência - até hoje - foi em tentar entender a minha própria expressão. Sempre fui uma pessoa curiosa, versátil e observadora, então, desde pequena, nunca fiz parte de um único grupinho. Eu queria ser de todos. 

Isso fez com que raramente eu expressasse minha opinião sobre as coisas. Embora minha presença nunca passasse despercebida porque não fazia questão nenhuma de me encaixar em padrões, eu sempre fui o tipo de pessoa que ficava no canto, olhando o mundo acontecer da janela.

Não à toa fui estudar jornalismo, a profissão dos que não tem profissão. Lá, aprendi que imparcialidade não existe, mas, inteligente é aquele que ouve a todos antes de tirar uma conclusão. Mesmo batalhando por pautas esquisitas na faculdade sobre antroposofia e coletor menstrual, por exemplo, quando o assunto era trabalho eu me fechava cada vez mais. Achava que a única solução prazerosa seria trabalhar com cultura em uma assessoria de imprensa (a frente do jornalismo que dava mais dinheiro, até a internet aparecer). Pouco depois de ter tentado me encontrar nas assessorias e perceber que aquele ambiente de escritório me dava sono e eu não conseguia me concentrar, comecei a ficar ansiosa.

Assim que o diploma caiu, um monte de gente abandonou a faculdade. Honestamente, eu não estava preocupada em resolver a vida com 20 anos, então fui levando até que comecei a estagiar em uma empresa terceirizada por marcas como a Heineken e a Cônsul, que produzia conteúdo editorial para blog e outras redes sociais. Esse foi o primeiro divisor de águas da minha vida - enfim suspirei aliviada. 

A empresa não tinha escritório, eu trabalhava de casa, fazia reunião no bar, visitava cliente bem à vontade. Uma vez a reunião foi acabar em um show privado do Leonardo (o irmão do Leandro) e tomei todas junto com a chefe. Além disso, viajava e produzia conteúdo da praia, escrevia do jeito que eu falava, podia até colocar piada no meio do texto. Pra mim, tava bom mas tudo muito esquisito; me perguntava todos os dias se o que eu estava fazendo era ou não jornalismo e se aquilo que eu tava vivendo era real. Foi então que esse lance de social media começou a pegar. 

Em 2012, depois de sair da agência porque o maior cliente contratou uma agência maior para cuidar do seu conteúdo digital (óbvio), fui convidada para levar meus conhecimentos para uma outra agência digital, que estava começando. Mais um divisor de águas. Foram dois anos em que me dediquei a atender os seus clientes, sem perceber que aquela foi a melhor oportunidade que tive para criar o meu jeito de fazer as coisas. Tinha total autonomia e liberdade e lá pude me desenvolver muito! Quando saí, porque queria alçar vôos maiores, fiz uns freelas, mas percebi que na verdade, eu só seria realizada quando eu desse as caras para o mundão e assinasse embaixo. 

E foi o que eu fiz. Em 2014, deixei de lado as agências para empreender.

O terceiro divisor de águas da minha vida foi quando percebi que não queria mais atender grandes marcas. Me dei conta que tem muita gente legal por aí com projetos incríveis e precisando de mim. Não precisei de muito para me convencer de que ali era o meu lugar: trabalhando com gente criativa, com ideias inusitadas, tratando de assuntos diferentes, com propósitos distintos e sustentáveis. 

E, durante todos esses anos conhecendo pessoas novas e atendendo pequenos empreendedores cheios de criatividade e projetos inspiradores, chegou a hora de alargar o passo e contar sobre as suas histórias. Foi por isso que criei esse espaço. 

Prismma faz alusão à vitrine que quero me tornar desses projetos cheios de vida e significado. Enfim me sinto à vontade para me expor, mostrar as minhas escolhas, o meu estilo de vida, minhas influências, meus clientes e permitir que vocês bebam dessa mesma fonte. 

Entrem e sintam-se em casa!

Mayara CastroComment