Nomadismo Digital na prática: conheça a história do fotógrafo Felipe Abreu

Captar momentos, contar histórias, registrar passagens, guardar memórias. A fotografia sempre será uma ferramenta revolucionária, que paralisa o tempo e nos permite acessar lembranças e sentimentos e nos ajuda a perceber - e moldar - nossos passos. Uma arte democrática e acessível, que convida a levar a vida menos a sério e com mais poesia.

Ao selar parceria com a Galeria SambaPhoto, conhecemos o trabalho de fotógrafos do Brasil inteiro. Como oportunidade de disseminar suas artes, lançamos um convite para que eles usassem as nossas redes digitais com exclusividade para divulgar os seus trabalhos.

Além de fotógrafo, Felipe Abreu é produtor de conteúdo online e editor. Além dos projetos autorais, como as séries Acabou-se o MundoMontanhas em Nós e Folie à Deux, ele edita mensalmente a Revista OLD e acaba de começar um mestrado em Artes Visuais na Unicamp.

Ele morou por um ano e meio em Los Angeles e depois por dez meses em Barcelona e mantinha contato direto com o Brasil por meio de freelas e produzindo conteúdo para a OLD, revista colaborativa, que apresenta portfólios de fotógrafos e entrevistas com grandes nomes da fotografia, cujo objetivo é aumentar a discussão sobre a fotografia atual e trazer uma nova opção dentro do cenário de publicações no Brasil.

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Por que você faz o que você faz?

Tenho uma relação muito forte com a fotografia, o que acaba por me levar para as minhas outras áreas de atuação. Gosto muito de lidar com a produção de imagens, buscar maneiras de transmitir sensações e narrativas através de construções visuais. Todos os meus trabalhos acabam lidando, de uma maneira ou de outra, com a criação de imagens ou com a reflexão sobre elas.

Quais são as suas paixões e como você as aplica na sua vida e no seu trabalho?

Gosto muito de me mexer. Não tenho muita paciência para fazer sempre a mesma coisa, especialmente no mesmo lugar. Gosto de projetos e trabalhos que façam com que eu me movimente, busque novas criações e desafios. Essa característica molda muito a minha produção fotográfica e acaba condicionando os outros trabalhos que realizo.

Como você fez para conseguir viajar e trabalhar ao mesmo tempo? Esse já era um sonho?

Por sorte, uma parte considerável do meu trabalho como produtor de conteúdo e editor pode ser feita à distância. Com isso consegui continuar trabalhando na minha área durante boa parte do tempo que morei fora do Brasil. Não era um sonho, mas foi algo que ajudou muito a me manter neste período e a manter meus contatos e produções bastante ativos.

Que futuro você está ajudando a criar?

Gosto de pensar que inspiro um estilo de vida mais livre, com menos barreiras e restrições. Me vejo inserido em um movimento que busca uma maior qualidade de vida e de trabalho e espero que este tipo de alternativa seja cada vez mais comum e viável no futuro. É uma maneira muito recompensadora de se viver, embora também seja muito instável.

Quais foram os maiores desafios que você passou/passa para criar esse estilo de vida e de trabalho? E as recompensas?

Vivenciei desafios comuns de qualquer freelancer: uma certa instabilidade em relação a renda e uma necessidade maior de organização financeira e de tempo. Além disso,  tive dificuldade de me manter em dois fusos horários distintos, tendo de trabalhar em um e viver em outro.

A principal recompensa, por outro lado, é poder conhecer novos lugares e culturas e receber a maturidade e a visão de mundo que isso traz. Resisti bastante antes da primeira mudança, mas hoje vejo que foi um grande acerto e tenho que agradecer muito à Paula, minha esposa, que me convenceu a embarcar nessas duas jornadas.

Como você ganha dinheiro?

Nos últimos anos trabalhei como freela, abri e coordenei uma produtora audiovisual, além de prêmios e incentivos esporádicos. Meu sistema de trabalho, e consequentemente de renda, varia bastante ao longo do tempo.

Se o seu trabalho não existisse, do que as pessoas sentiriam falta?

Que pergunta complicada! Haha

Acho que as pessoas deixariam de conhecer muitas visões e maneiras de expressão distintas, que ofereço nas publicações da OLD mensalmente. Além disso elas perderiam a oportunidade de criar uma comunidade, que sinto bastante forte em relação aos fotógrafos que já marcaram presença por lá.

Acredito que escrevo textos interessantes, sobre temas nem sempre abordados e busco produzir trabalhos inovadores em fotografia, mas não sei se tanta gente chegaria a sentir falta deles caso eles deixassem de existir, hehe.

Quais dicas você daria para quem quer criar um estilo de vida como o seu?

Se você for como eu, vai pensar que é uma má ideia uma mudança tão grande. O começo é bem complicado, não vou mentir. Mas depois dessa primeira chegada, cada instante é valioso. Não tenha medo de ir para um lugar desconhecido.

Não deixe de se manter em contato com as pessoas que ficaram no Brasil. Você pode realizar uma série de coisas à distância.

Viaje e mude sempre que for possível.

Onde posso encontrar mais informações sobre você e seu trabalho?

Meus trabalhos fotográficos estão em www.felipeabreu.carbonmade.com e todas as edições da Revista OLD estão em www.revistaold.com.

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Acompanhe a série de fotos do Felipe em nosso instagram e aproveite para segui-lo: @felipeabreus.

Algumas imagens do fotógrafo você encontra disponíveis para venda no site da Galeria SambaPhoto: www.galeriasambaphoto.com/fotografos/felipeabreu.