Como virei nômade digital: um resumo da minha transição de carreira

 Foto: Fábio Bardella

Foto: Fábio Bardella

Faz três anos que saí do mundo corporativo para empreender o meu negócio criativo. Nem posso dizer que senti falta dos benefícios do CLT porque a única vez que fui contratada faz 10 anos, em meu primeiro e único trabalho no shopping - que, diga-se, de passagem eu aguentei a pressão por 4 meses.

Depois disso, sempre fui PJ. E isso, de alguma forma, sempre me fez questionar o comportamento das empresas que trabalhei - deveres: tinha vários. Direitos, que direitos?

Sinto que cada vez as novas gerações se preparam para nova alçada em suas carreiras. Não é de hoje que questionamos a educação, mas, cada vez mais damos por óbvio que profissões tradicionais sugeridas pelos nossos pais por "pagarem bem" não trazem mais felicidade - até porque, o problema não é a quantidade de dinheiro que se ganha, mas a maneira que se gasta. Quem aí já se pegou tentando se convencer de: "tenho que trabalhar para pagar as contas do carro que uso para ir para o trabalho"?

Sou jornalista, paguei caro para me formar e no meio do caminho o diploma caiu. Logo entrei para o universo da comunicação online e, claro, por ser um solo novo, além de não ser bem remunerada, estava vivendo esse ciclo vicioso, infeliz e sem perspectivas.

Até que, em 2014, a coragem veio e resolvi criar um negócio próprio. Nesse momento, várias questões vieram à tona. Senti falta de aprender sobre empreendedorismo na faculdade. Senti falta de profissionais dispostos a me ajudar, levando em consideração que não tinha grana como os grandes para pagá-los.

Percebi, então, que para o movimento contrário começar a funcionar, a engrenagem precisava parar de girar. Foi aí que decidi que o meu trabalho não serviria as grandes marcas, mas pessoas protagonistas de ideias que incríveis que, assim como eu, precisava de ajuda.

Neste mês de dezembro, comemoro 4 anos de empreendedorismo autônomo e livre, que diariamente me ensina que a comunicação nada mais é do que uma ferramenta poderosa feita para ajudar a promover de iniciativas que colaboram para a construirmos um mundo melhor - porque de desgraça, já basta a grande imprensa comunicar.

E se existe protagonista nessa história toda, o papel é da internet, que nos dá espaço, permissão e nos ajuda cada vez mais a democratizar o acesso à informação e à bens de consumo. Pequenos empreendedores, artesãos, produtores manuais sempre existiram. A diferença é que agora aparecemos. Como diz meu sábio pai: "a crise que estamos vivendo não é econômica, mas de valores, porque hoje em dia temos oportunidade para fazer melhores escolhas".

É nessa incessante busca, de ajudar o pequeno empreendedor a ser visto e lembrado, que escolhi viajar o mundo com o meu trabalho. E, claro, vou contar tudo aqui e nas minhas redes sociais. Se quiser conhecer um pouquinho do que faço, é só vir aqui: www.mayaracastro.me / @mayaracastro no instagram.

Matéria escrita para o Catraca Livre Viagem