Divando com a Diva Nassar

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Conheci o trabalho da Diva quando ela se inscreveu para um dos meus cursos. A experiência de ter contato com criativos do Brasil inteiro no curso de Expressão Digital é sempre única: lá, trocamos com pessoas que tão no mesmo barco, tentando entender como é possível criar uma expressão autentica de si. Como sempre digo, não existe (ou não deveria existir) autoexpressão sem autoconhecimento - essa é a chave para o nosso autodesenvolvimento, seja lá qual for o nosso objetivo.

Conversa vai, conversa vem, descobri nela o olhar sensível de uma fotógrafa que, assim como todos nós, quer ser reconhecida pela mensagem que carrega e não apenas pela profissão.

Por isso, resolvi contar a história dela aqui. 

 

Diva, como surgiu o seu projeto? Me conta um pouco sobre sua história e de sua marca.

O meu projeto surgiu da vontade de fazer mais mulheres verem seus corpos através de olhos mais gentis.

Uma amiga fotógrafa fez um ensaio comigo (ela me fotografando) e foi um divisor de águas pra mim, tive o privilégio de ser fotografada por uma pessoa que eu admiro e ainda tive uma experiência que todo fotógrafo deveria ter: a de estar do lado contrário do ensaio. Depois desse dia nunca esqueci a sensação de não saber se estou fazendo as coisas "direito", levando em conta que eu não tinha um papel a desempenhar naquele ensaio que não fosse ser: eu mesma.

Quando ela me entregou as fotos tratadas disse que queria mandar algumas para uma revista francesa, se teria problema por mim. Eu disse que não mas imediatamente pensei "mas vou pedir pra ela não colocar aquela que a minha barriga tá estranha" e isso foi muito estranho pra mim. Eu não costumo ter problema com o meu corpo mas nessa hora reparei que eu não tinha problema com o meu corpo porque não me colocava nesse tipo de situação. Ela deu um jeitinho de falar que isso era coisa da minha cabeça, e provavelmente era, só que são as coisas da nossa cabeça que pautam tudo o que a gente faz da nossa vida. É a nossa autoestima que dá o tom de absolutamente todos os nossos relacionamentos, tanto de amizade quanto amorosos, assim como no trabalho.

Foto da Tamires Iwamoto

Foto da Tamires Iwamoto

Foi então que vi que nós mulheres precisamos de muita ajuda na luta contra todas as pressões externas e internas que sofremos todos os dias. O ensaio da Tamires me fez olhar pro meu corpo com mais gentileza e lembrar que só eu posso mudar o jeito que vejo as coisas - e ajudas são sempre bem vindas!

Depois disso passei a fotografar cada vez mais mulheres ao meu redor, porém de um jeito completamente diferente: não era mais só um ensaio fotográfico, era praticamente uma terapia. E o resultado mais visível dessa diferença no meu comportamento veio através das mensagens que eu passei a receber quando entrego as fotos. Vem choro, vem risada, vem agradecimento, vem medo de postar as fotos e 'do que as pessoas vão pensar' seguido de um belo "foda-se" e vem força, força pra continuar seguindo e ter mais paciência consigo mesma. Isso não me deixa esquecer a finalidade do meu trabalho e da minha ideologia.

Se sua marca fosse uma pessoa, como ela seria?

Acredito que seria uma mulher tranquila e de bem com a vida apesar dos pesares. Uma pessoa que sabe aproveitar o que tem de bom e tem força para lidar com o que tem de ruim sem medo de se trabalhar até o fim da vida, melhorando sempre.

Por que você faz o que você faz? Quais são os propósitos que te movem em sua criação?

Faço o que faço pois não tem gente o suficiente fazendo algo do tipo pelas mulheres. O que mais vemos é desrespeito pelo corpo da mulher, vindo tanto dela quanto de outras pessoas. Acredito fortemente que faço diferença na vida de quem eu fotografo e mudo pra melhor. :)

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Como foi o seu processo de transição para o seu trabalho atual? Quais foram os desafios que você viveu e as suas conquistas?

Eu fiz a graduação de fotografia aqui em São Paulo e sempre trabalhei com isso, o que não tornou o processo mais fácil em nenhum sentido. Durante muito tempo fiquei achando que tinha errado em seguir esse caminho, que não valia a pena passar por todas as dificuldades que o trabalho impunha até perceber que eu tinha que mudar o ângulo de visão se eu quisesse sobreviver.

O que faz você sentir que está no caminho certo?

Ver que eu consigo ficar tranquila comigo mesma. Depois que tomei essa decisão as coisas fluíram com maior facilidade.

A camiseta é da Avah! Store

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Você se sente responsável por fazer a diferença na vida dos outros? Que futuro você está ajudando a criar?

Sinto, quando vejo a pessoa postar as fotos que eu fiz e sentir que tem poder sobre si mesma, sobre suas atitudes, sobre o que quer e não tem medo de ir lá conseguir. Acredito que o que virá serão mulheres cada vez mais seguras de si e quem sabe assim, uma sociedade mais equilibrada e justa.

Qual a dor e a delícia de ser um pequeno empreendedor criativo, no Brasil?

Aí complicou! hahaha Não sei se eu recomendaria isso pra qualquer pessoa, vale muito dizer que tem que ter estômago pra pessoa não chegar desavisada. Você tem que ser tudo dentro do seu negócio: seu planejador, seu comercial, suas redes sociais, seu contador (só falto morrer) e principalmente seu maior torcedor porque se não, realmente, não dá pra dar conta. Tendo falado isso, nada dá mais orgulho do que ver que você faz o seu trabalho do início ao fim, todas as decisões tomadas são suas, partem dos seus princípios. Muita gente não gosta de ter toda essa responsabilidade mas eu acredito que seja o melhor jeito de levar a vida.

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Quais dicas você daria para quem quer começar nesse caminho?

Diria pra nunca achar que não tem como melhorar, como se conhecer melhor, conhecer o seu público melhor, interagir de forma real e concreta com outras pessoas que passam pelas mesmas coisas que você e tentar mais um pouco sempre que pensar em desistir.

Onde podemos encontrar mais informações sobre você e seu(s) projeto(s)?

No www.divanassar.com. Apareçam por lá!

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Mayara CastroComment