Juliana Colinas: da engenharia à fotografia em um clique.

Faz dois meses que estive no RJ para realizar uma edição da oficina de Texto e Foto com o celular. Uma, entre as tantas que aconteceram em diferentes partes do Brasil esse ano.

Contar sobre as diferentes iniciativas que conheço nos lugares onde tenho passado tem sido um gatilho para que mais pessoas possam desfrutar das marcas e projetos protagonizados por tanta gente talentosa ao redor desse Brasilzão; ao mesmo tempo me torna uma vitrine do tipo de consumo que acredito ser o mais saudável e consciente nesses tempos de oferta em excesso: o consumo do pequeno produtor local. 

Nessa onda de começar a criar o meu próprio conteúdo autoral, fui procurar alguém que pudesse me ajudar a registrar essas experiências e encontrei a fotografia da Ju Colinas. Quando a vi, logo pensei: é esse olhar que eu quero para complementar o meu trabalho. 

Percebi que nossa linguagem tem características em comum: não importa onde estou, gosto de retratar o local como um todo, mostrar a arquitetura, o cenário presente. Gosto de imagem aberta, que permite quem tá de fora entrar no ambiente. Também gosto de movimento, de expressão, de ritmo. A Ju me inspirou pelo feed, mas mais ainda pelo olhar amplo e sensibilidade ao introduzir pessoas em cenários tão improváveis.

Essa foi a sensação que eu tive quando ela me convidou para fazer as fotos no estacionamento de um shopping. Chegando lá, entendi tudo.

Por Ju Colinas
Por Ju Colinas

Ela me contou que é apaixonada por fotografia desde criança. Tinha uma câmera Olympus bem surrada e, conforme foi crescendo, ouvia das pessoas que aquilo não era profissão. Foi então que, mesmo sabendo que o amor pela fotografia falava mais alto, optou por estudar Engenharia. Não demorou muito para que ela começasse a se questionar sobre não estar fazendo o que fazia o coração pulsar, então, chegou uma hora que resolveu pedir dinheiro emprestado, comprou uma câmera e começou a reproduzir suas ideias. Até que um dia alguém perguntou quanto ela cobrava. Foi então que ela abandonou a faculdade, sem medo de ser feliz.

 Ju, por que você faz o que você faz? Quais são os propósitos que te movem em sua criação?

Eu sempre fui uma pessoa muito criativa e fantasiosa. Sempre tive muita dificuldade em compreender a grandezas dos meus sentimentos por tudo e por muitas vezes enlouqueci em senti-los de forma tão intensa e desejei até que não existissem. A arte foi uma terapia pra mim numa fase ruim. Eu faço arte quando me sinto triste, angustiada, feliz, ansiosa, com medo. É o canal que encontrei de esvaziar meus sentimentos e materializa-los em algo externo. O que mais me move a criar e o que mais me ajuda no processo de criação são meus sentimentos.

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Como foi o seu processo de transição para o seu trabalho atual? Quais foram os desafios que você viveu e as suas conquistas?

A minha maior evolução foi quando parei de olhar para o trabalho dos outros e comecei a olhar pra dentro de mim. Comecei a procurar o que me dava o gatilho de produzir, o que despertava meu olhar. Só assim comecei a buscar referências de acordo com o que estava dentro de mim, não dentro das pessoas.

Como você ganha dinheiro?

Ganhar dinheiro por incrível que pareça, não era o meu objetivo inicial. Na verdade eu mal conseguia linkar fotografia a trabalho. Hoje a fotografia é meu trabalho e minha única forma de renda. Sempre gostei de fotografar pessoas usando maiô, então comecei a garimpar alguns maiôs em brecho para agregar a produção. Aos poucos, de tanto produzir fotos de pessoas de maio, comecei a atrair a atenção de marcas de beachwear aqui do Rio de Janeiro. Quando comecei a trabalhar com marcas, não parei nunca mais. A minha maior satisfação é conhecer a criação de alguém e poder cuidar disso, cuidar da ideia e fazer parte de um pedacinho da história da vida de uma pessoa e de um conceito.

Quanto tempo levou para você acreditar que esse era o caminho que você queria percorrer?

O processo demorou anos. Sempre me parecia o caminho certo mas ao mesmo tempo, o medo de ser mal sucedida era enorme. E o pior é que as únicas coisas nas quais me interessava estavam ligadas a arte. Foi muito difícil escolher uma profissão. Foi muito difícil tudo o que eu gostar, ser vetado por ser arte. Só acreditei quando me vi num beco sem saída, infeliz onde eu estava e percebendo que não importava o dinheiro que eu geraria se eu não estivesse feliz.

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O que faz você sentir que está no caminho certo?

A principal coisa que me move pra frente e me faz saber que estou onde deveria estar é quando alguém, meu amigo ou só conhecido, encontra uma foto na internet/Instagram e me marca dizendo "quando vi essa foto, nem tinha seu nome mas já sabia que era sua". Meu maior incentivo é saber que além de produzir o que eu sinto, consigo ser identificada numa foto que não tem nem meu rosto. Essa é a coisa que mais me move pra frente.

Que futuro você está ajudando a criar?

Meu melhor pagamento é quando ouço de alguém que o ensaio mostrou a ela o quanto ela é bonita e ela não conseguia ver. A escolha da minha profissão sempre foi baseada em como eu conseguiria atingir as pessoas com o meu trabalho. Hoje eu sei que estou no caminho certo. Não consigo abraçar o mundo mas consigo abraçar o mundo de alguém e fazer esse alguém enxergar quão bonito é.

Como é ser um pequeno empreendedor criativo, no Brasil?

Ser microempreendedora é, além de ter meu negócio, ser meu negócio e estar sempre buscando inúmeras formas de evolução, que acabam sendo espelho da minha própria vida. Eu amo muito o que eu faço.

Quais dicas você daria para quem quer começar nesse caminho?

Produza! Só produza! Não espere nada em troca, nem reconhecimento, nem dinheiro, nem aplausos. Isso tudo é consequencia de algo muito maior. Sua arte e muito maior do que a aprovação que você vira a receber. Produzir além de te dar satisfação pessoal, por natureza irá despertar interesse em outras pessoas de terem seu trabalho. Só produza!

Onde podemos encontrar mais informações sobre você e seu(s) projeto(s)?

Através do Instagram (@jucolinas), que e onde atualizo diariamente. No be.net/julianacolinas os ensaios são postados inteiros, divididos por álbuns, diferente do Instagram que posto só um SPOILER. No behance e no Facebook.com/julianacolinasfotografia da pra acompanhar todos os ensaios na íntegra. No facebook tem todos desde que comecei. O behance é meu portfólio mais afinado para representar meu trabalho. Também estou produzindo uns vídeos no Vimeo.com/julianacolinas e em breve sai um site bem legal.

 

Mayara CastroComment